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Movimentos sociais vão à rua contra a impunidade
Organizações de direitos humanos, de familiares de desaparecidos e políticos convocaram, para hoje, um ato repúdio em frente ao Palácio da Justiça, com o intuito de evitar medidas de impunidade para aqueles que perpetraram crimes de lesa humanidade no período do governo Stroessner.
O regime ditatorial vigorou no país de 1954 a 1989, quando foram violados, sistematicamente, os direitos humanos, dentro do plano de terrorismo de Estado implementado no período.
Entre as organizações promotoras do evento está a Agrupação de Familiares de Detentos Desaparecidos por Razões Políticas do Paraguai (FADDAPY) e a Coordenadoria de Lutadores contra a Ditadura (CODELUCHA).
Atualmente, três torturadores do III Departamento de Investigações de Polícia da capital cumprem pena de 25 anos de prisão pelo assassinato de Mario Raúl Schaerer Prono, em abril de 1976. São eles: os ex-comissários Camilo Almada Morel, "alias Sapriza", Lucilo Benítez , ou “Kururú Pire”, e Juan Aniceto Martínez. Os três deverão cumprir pena até 2014.
O ex-comissário Juan Aniceto Martínez solicitará a liberdade condicional deles, medida repudiada pelas organizações. A audiência será realizada hoje no Juizado de Execução Penal da Dra. Ana Maria LLanes, no Palácio da Justiça.
Segundo as organizações e defensores dos direitos humanos, os condenados integravam um corpo de torturadores de elite da polícia política do regime de Stroessner, respondendo diretamente às ordens do chefe de Investigações, Pastor Coronel, do chefe de polícia, general Alcibíades Brítez Borges, do ministro do Interior, Sabino Augusto Montanaro, que está asilado em Honduras, e do presidente da República, general Alfredo Stroessner.
Durante todo o processo, os condenados não demonstraram nenhum sinal de arrependimento frente às autoridades judiciais e ante à sociedade pelos crimes cometidos.
Nenhum dos torturadores ofereceu indícios ou pistas da localização de centenas de desaparecidos que foram detidos com vida e levados ao III Departamento de Investigações de Polícia, da capital. Além disso, mantiveram inalterável o "código de silêncio" que beneficiou os seus superiores, co-autores e cúmplices com a impunidade.
As organizações de direitos humanos consideram que o silêncio dos acusados significa que, mesmo transcorridos mais de 30 anos dos crimes e 20 anos do término do período ditatorial, eles seguem cumprindo as ordens de silêncio dadas por seus superiores em 1976.
No dia 9 de abril de 2008, o Paraguai aderiu à Convenção sobre Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes de Lesa Humanidade, o que obriga o país a desmontar medidas judiciais ou parajudiciais que impliquem impunidade para os responsáveis destes graves delitos que ofendem e ferem a sociedade paraguaia.
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